Thursday, December 27, 2007

Bom Ano


Mais uma vez passámos mais cedo.
Os anos velhos entediam-nos.
Esse já não dava com nada.
Venham-se embora que 2008 é do melhor que já vimos.
Bom ano e evitem chatear-nos.
(imagem: gillet e calças Prada, camisa Thom Browne, gravata Band of Outsiders e óculos Tommy Hilfiger, tudo em bom, portanto, numa produção de Katherine Kingsley fotografada por PeggySirota para a Men Style)

Passagem do Ano: em Boa Companhia


Passagem do Ano: de Smoking


(imagem: Smoking e Camisa Dolce & Gabbana, gravata D&G e sapatos Tom Ford, tudo em bom, portanto, numa produção de Katherine Kingsley fotografada por PeggySirota para a Men Style)

Passagem do Ano: no Mónaco


(imagem: CocoGP, Snort With Style (2004) de Eric Morel)

Lâmpadas do Futuro


Decidimos que 2008 é o ano para, definitivamente, sermos sustentáveis.
Já não há questão.
Não é cool nem deixa de ser.
Não é de esquerda nem de direita.
É assim e pronto.
(confessamos que o “toda a verdade” do Al Gore nos impressionou)
Devemos fazer esforços e percorrer quilómetros com os sacos de lixo (porque não fazem recolha selectiva à nossa porta).
Devemos recusar todo o género de sacos e embalagens de plástico, quando estes se revelarem desnecessários (como sempre fizemos).
Devemos utilizar mais os transportes públicos (se houver).
Devemos beber água da torneira e evitar águas em garrafas de plástico (já o fazemos).
Enfim, mais alguma ideia?
Ah! E só comprar lâmpadas económicas, que no fundo é o que nos traz a este tema tão bonito: as lâmpadas económicas Plumen da Hulger.
Ansiamos por que sejam mais do que protótipos.
Da mesma forma que aderimos aos P*phones (à altura Pokias), aderiremos às Plumen.
São mais um resultado das buscas da Hulger aos aparelhos electrónicos que caíram na desgraça de não terem graça.
As Plumen são lâmpadas económicas que vivem por si.
Passam a ser lâmpada e o próprio candeeiro, sem mais.
Queremos só ter lâmpadas assim em 2008.
Rápido.

The Art of Shaving



Desde que utilizamos estes aparelhos – sistema de lâminas, máquina ou aparelho de barbear, ou mais comummente Gillette (que é nome de marca de uma das mais importantes marcas hard selling do mundo, com enorme brand awareness e índices insuperáveis de confiança no consumidor) (parece que estamos a fazer publicidade, não é!?) – que os vemos evoluir de maneiras que já achávamos impensáveis.
De duas lâminas (já não conhecemos a lâmina singular, a não ser no barbeiro que nos aparava o pescoço com as lâminas que nos assustavam até ele acabar) (e ainda não conhecíamos o Sweeney Todd, que também aguardamos ansiosos por ver, pelo Johnny Depp, dirigido por Tim Burton) (se bem que tememos que seja outra estopada ao estilo do Cavaleiro Sem Cabeça… mas o ano ainda nem começou, de maneira que o nosso optimismo faz-nos acreditar em tudo e em todos), vimos aparecer as cabeças descartáveis e o Lubra Strip. Os cabos anatómicos e bi-matéria (combinados de metal e plásticos vários), as três lâminas – o Mach3 – e as super três lâminas – o Mach3 Turbo.
As hiper três lâminas são as do modelo M3 Power Nitro, que se aproxima de uma máquina de barbear e de um vibrador. Não sentimos atracção nem por uma nem pelo outro, de modo que nos deixámos ficar para trás nesta história, e achamo-nos contentes com a Mach3 da nossa juventude.
É da idade – “isso é coisa de miúdos!”.
Agora a Gillette percebeu que há um mercado da saudade também aqui.
Que esta “arte de barbear” pode ter adeptos antiquados e continuam a associar estilo à tradição, também nestas coisas.
É assim que surge a sub marca The Art of Shaving, sob a umbrella da confiança Gillette.
Muita tradição e estilo old fashioned, à maneira dos barbeiros de antigamente.
São lojas e Barber Spas para tratamentos especiais.
Com look à antiga, como só os americanos sabem fazer.
Mas desta vez muito apetecível.
O hard selling transformado em cosmética com muita eloquência e bom gosto.
Por cá não há, mas como o ano ainda vai ser novo, acreditamos e esperamos para ver.
The Best a Man Can Get.
(a Men Style seleccionou a Art of Sahving nas suas escolhas The Year in Gear)

Wednesday, December 26, 2007

Porque é Branco XII


(imagem: Rietveld Chair (2007) da série Wright de Brian Ulrich (muito citado aqui hoje, hã!?), feita precisamente a partir de uma cadeira Zig Zag branca, do designer (e não só) holandês Gerrit Rietveld, um Royal)

Bom Dia Tristeza / Bonjour Tristesse



Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você

Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar

(obrigado a: Vinicius de Moraes, Álvaro Siza Vieira, Françoise Sagan e Otto Preminger)

O Avarento


Já só se fala nisto.
E ainda só estamos em 2007.
É porque, realmente, não há mais nada.

(imagens: fotografias de palco d'O Avarento, pelo Royals Praga (com José Maria Vieira Mendes)de 11 a 19 de Janeiro no CCB)
(as fotografias são, ou pelo menos achamos que são, de João Tuna; pelo menos a que tem a Royal Cláudia Jardim a apanhar UVs da lâmpada ao fundo, é; a outra roubámos do site, por isso não temos a certeza (não é que a outra miúda, ou actriz, não seja gira, e boa actriz, até é, e muito das duas coisas, mas a Jardim é dilecta, a outra que nos desculpe); mas como por aqui se sabe logo de tudo, havemos de saber rapidamente e poderemos fazer justiça ao autor; de qualquer modo, seja ele quem for, fica já aqui o nosso obrigado)

A Vista


Dei-me ao trabalho de te lá levar.
Disseste-me que nunca tinhas visto uma paisagem assim.
Acreditei.
Depois descobri que vias repetidamente o canal National Geographic.
Mesmo assim achei que podia ser verdade.
Não se sente a emoção de um lugar só por uma fotografia (lato sensu).
E não se conhecem os orgasmos só vendo filmes pornográficos.

Brian Ulrich e o Dézaine



Belíssimas fotos de Brian Ulrich na série Wright.
É o dézaine e mais a arte contemporânea. Ligações perfeitas (já havia uma marca qualquer que dizia isto, ou enganamo-nos?).
(imagens: fotografias da série Wright (2007) de Brian Ulrich)

O Natal de Brian Ulrich



Acabou-se o Natal (é mentira, mas para o caso é a verdade).
Tiraram-nos o chão debaixo dos pés.
Já não temos o que comprar.
Aguardamos por ver as letras garrafais que dizem “saldos” (até já vimos algumas).
Enquanto isso vamos vendo a nossa figura nas imagens de Brian Ulrich.
Para não parar o consumo.
Atenção que 2008 está aí à porta e ainda não comprámos nada para o ano novo.
Ah pois é!
Toca a andar, que os centros comerciais não podem ficar vazios.
(imagens: fotografias de Brian Ulrich da série Copia Retail de 2003)

Thursday, December 20, 2007

Natal Royal


Agora já só conseguimos falar de Natal.
A lista já nos acompanha no bolso do casaco.
As marcações para tudo já se sobrepõem (sem que ninguém suponha).
Todos os 5 minutos são preciosos.
O ginásio já é uma realidade cada vez mais próxima.
A Judy Garland será mais uma vez a rainha do Natal: veremos pela enésima vez The Wizard of Oz e ouviremos Over the Rainbow na voz de Rufus Wainright.
Enfim, coisas de gente parva e com poucas preocupações, que no fundo é o que todos somos.
Até lá não nos chateiem.
E bom Natal.

O Natal de Tom Dixon


A verdade é que o senhor Dixon sabe o que faz.
E rendemo-nos à beleza dos seus desenhos (que já havíamos visto noutras das suas inúmeras aplicações para comunicar tudo o que faz).
No cartão de Natal aproveita para promover os seus objectos de iluminação.
E fá-lo bem.
Merry Christmas Mr. Dixon.

Wednesday, December 19, 2007

Fantasias de Natal


Ele está sozinho em casa e recebe-a de roupão: ela vem montar a Árvore de Natal.
Ela está sozinha em casa, deixa a porta aberta e vai para o quarto (está em underwear) enquanto ele vem entregar o cattering de Natal.
É meia-noite e o pai Natal toca à porta, neste ano em que decidiu ir sozinho passar o Natal em Nova Iorque.
Antes que a família chegue, decide fazer uma vistoria ao serviço rigoroso que sempre exige das criadas.
No fundo, todos gostamos de receber bem.
Esqueçam “o coelhinho vai com o Pai Natal”.
(imagem: uma fantasia de Natal de "Lady of the Manor", da Royal Agent Provocateur)

Shopping


Um dos melhores statements da artista americana Barbara Kruger.
Um dos melhores statements (ou slogans ou como queiram chamar, dependendo da área de negócio) do mundo.
Para quem ainda anda, para quem já andou ou para quem ainda vai andar em stress com as compras de Natal.
Não stressem.
Sintam-se grandes.
Quem tem um Visa tem tudo e manda na ordem do mundo.
Boa sorte e bom Natal.
(esta agora pareceu reacção irónica de esquerda, não foi? engano, é coisa bem de direita)
(imagem: Untitled (I shop therefore I am) (1987) de Barbara Kruger)

Tuesday, December 18, 2007

Fernando Brízio na Kreo


Faça-se justiça: na Kreo também há um designer português.
Não que isso por si seja excitante, não o é.
Os designers portugueses são designers como todos os outros, e por isso ou são bons e trabalham, e aparecem onde estão os designers bons, ou não são bons ou não trabalham, e fazem protótipos subsidiados pelo Centro Português de Design, e instituições afins, a vida toda.
Mas Fernando Brízio sempre se destacou deste panorama.
As suas propostas sempre foram conceptuais, deixando muitas vezes a estética do objecto ser ultrapassada.
Mas ultimamente as suas propostas têm conseguido juntar essas duas vertentes, e com grande efeito.
Na exposição Tabourets, no início deste ano, na Kreo, participou com o "banco em trompe l’oeil" Alice.
Com este esteve também na Design Miami.
É uma edição de 8 exemplares e, segundo apurámos, ainda há para encomenda.
Bravo Fernando!

Adrien Rovero na Kreo



Este designer suíço destacou-se desde sempre.
Foi aluno da ECAL (o que ajuda) e desde então as suas criações têm tido destaque na imprensa e vendem-se como peças raras.
Ou não fosse um dos designers presentes na galeria parisiense Kreo.
Esta mesma Kreo (que também foi a Miami) (aqui para nós é assim das melhorzinhas, para não dizer a melhorzinha, que para aí anda) tem agora uma exposição que também é um prémio: Prémio Monica Danet, para “La Liseuse”, onde Rovero participa lado a lado com os Big Game e David Dubois.
Pretexto mais do que suficiente para mostrar o seu Portique (2007), para esta exposição, e o seu banco Pimp (2007) da colecção e exposição Tabourets, também nesta galeria.
Com estes dois projectos Adrien Rovero prova que sabe desenhar e tem uma noção exacta de escala, do manuseamento e conjugação de materiais. Mas para além disso tudo mostra-nos que os seus objectos nascem e já sabem falar.
São excelentes momentos estéticos e objectos de desejo.

O Natal de Barnaby Barford


A propósito da Design Miami, da galeria David Gill (uma das que participou na feira, com trabalhos de Zaha Hadid, Nigel Coates, Mattia Bonetti, Fredrikson & Stallard e Barnaby Barford), deste último designer da lista e do Natal.
Barford, entre as inúmeras cenas que monta com as suas estatuetas (maioritariamente em porcelana, mas nem sempre), fez esta natividade (vulgarmente conhecida como presépio) de fazer inveja à colecção da Dra. Maria Cavaco.
Gostamos e estamos quase tentados a decorar o Paço Branco com estes motivos da época.
(imagem: Chav Nativity (2005) de Barnaby Barford)

Monday, December 17, 2007

Mundano no Porto


A Mundano é uma pérola rara.
No Porto, como não podia deixar de ser.
(em Lisboa não há nada que se lhe assemelhe)
Vende objectos de dedicação rara.
Design no seu estado mais concentrado.
Cheios de algumas das mais extraordinárias criações deste princípio de século.
Um espaço de visita obrigatória a todos os design victims.
(tentámos visitar a Mundano, numa promessa de há muito, mas só demos com a porta; nem horário nem promessas; só, pela boca dos vizinhos da frente, “lá pró fim da tarde, mas o mais certo é no sábado”; voltámos para a nossa Lisboa com o coração destroçado)

Storytailors no Chiado



Os Storytailors inauguraram (oficialmente) o seu espaço no Chiado (como não poderia deixar de ser).
Um espaço bonito (um bocadinho em ruína, mas com um ambiente propício às suas fantasias mais escuras).
Para isso fizeram um desfile que percorria todo o espaço da loja, e onde se viam as suas criações nas bonecas em que ficam transformadas as modelos depois do trato visual que estes lhes dão.
Uma fantasia de que gostamos.
Produções de primeira qualidade com criações muito vestíveis.
(só dispensávamos os números das saias empinadas e cabazes de tecido na cabeça, a lembrar as marchas na avenida)
(sempre que escrevemos sobre estes temas a coisa corre-nos mal, e não gostamos de nos reler)
Storytailors Atelier
Calçada do Ferragial, 8
1200-184 Lisboa

Guardanapo em Vagina


Quantas vezes não nos deparámos com a beleza infinita da arte de dobrar guardanapos.
Há mesas que se tornam verdadeiros arraiais de formas e seres materializados a partir de um simples quadrado de pano.
São pirâmides, setas, cisnes e outras aves, leques, coroas e flores.
Todo um universo secreto para iniciados.
Mas também nessa arte há criatividade, ou não seria uma arte.
Deparámo-nos com uma dobragem criativa: o guardanapo em vagina.
De uma beleza inigualável.

Sacos de Plástico


Este fim-de-semana aprendemos (ou relembrámos o que teimamos em esquecer) como se vive com sacos de plástico.
Como é que há vidas em que tudo cabe em sacos de plástico e os sacos de plástico são tudo o que cabe em muitas dessas vidas.
Aprendemos, entre tantas coisas, frases de gratidão, de pessoas que não podem supor que gratidão é a nossa:
“Isto está espectacular! Como é que vocês são capazes?”
“Nunca tinha recebido uma coisa nova.”
“Da mochila não preciso, ofereço-lha a si.”
“Um feliz Natal para si e para toda a sua família.”
“Tu és um gajo porreiro, não me vou esquecer de ti!”
“Eu vivo na Praça do Comércio! Somos vizinhos!”
Cabe-nos agradecer às centenas de amigos que fizemos na festa da Comunidade Vida e Paz e a esta organização que todos os anos faz um esforço incrível para superar o anterior.
Não faltaremos nunca.
Mesmo que todos os anos nos pareça que afinal não tínhamos aprendido a lição.
(jurámos a nós mesmos que aqui não era o espaço indicado para este assunto, mas foi mais forte do que nós resistir à emoção)

O que é esta Merda?


Achamos que não é preciso explicar.
Basta descrever: o fotógrafo comercial Nick Knight fotografou umas vedetas da “Costa Oeste” (como se isso hoje em dia fosse uma vantagem para o rectâgulo luso, mas enfim), pôs-lhe uns fundos de mar, e espalharam pela cidade enquanto por cá andam uns senhores.
Até aí tudo bem.
Acontece que taparam meia-fachada do Teatro Nacional D. Maria II com um desses retratos.
Pior: taparam a meia-fachada com um retrato do futebolista Cristiano Ronaldo (que entretanto nem vive em Portugal e anda a mudar a família toda daqui pra fora).
Nós, se fossemos o senhor director Carlos Fragateiro íamos embora. Acabávamos a entrevista.
Entretanto o Rossio é o melting pot da criatividade: Robert Indiana, Cristiano Ronaldo (sim, é criativo, sobretudo no que toca às línguas; o português e o inglês), Nick Knight, Shakespeare e o próprio Carlos Fragateiro (já para não falar nos Bocages que por ali passaram).
Temos pena, pois nunca vimos um trabalho tão mau saído das mãos de Knight.
Temos pena, porque até havia uns retratos tão giros feitos com terra, que serviam perfeitamente.

Thursday, December 13, 2007

Pérola de Lisboa: o Gambrinus




Como não nos lembrámos antes desta pérola!?
Uma grandiosa e sem dúvida Royal pérola de Lisboa.
De Portugal.
Do Mundo.
O Gambrinus, digam o que disserem, é o melhor restaurante que existe.
Esqueçam os restaurantes com o dézaine, com a arte contemporânea ou com as estrelas deste star-system que temos.
O Gambrinus ultrapassa tudo isso.
É intemporal, e só adquirir esse estatuto já é muito.
Comemos sem ter comentários a fazer, e melhor do que tudo isso: somos lindamente tratados.
O carro fica parado, as portas abrem-se, os casacos saem-nos dos ombros, as cadeiras afastam-se, as nossas senhoras (as da Terra, não as do Céu) são apaparicadas, tudo aparece sem termos que pedir nada, e tudo é muito bom.
O ambiente cheira a conspiração. Olha-se de mesa para mesa e toda a gente é alguém.
Os interiores são de chalet na montanha, e até isso faz parte de entrar noutra realidade.
Recusamo-nos a trocá-lo por outro.
Convidamos todos os amigos (o Gambrinus é mesmo para TODA a gente) e aceitamos todos os convites (desmarcamos tudo por um jantar ou um croquete no Gambrinus).
Gambrinus para sempre.
(temos uma companhia especializada em Gambrinus, que nos apresentou esta pérola e sempre que faz sentido lá estamos nós juntos; só nos resta agradecer com mais um Muito Obrigado!)

Decorar com Courbet


Dicas para os nossos leitores:
Se tiver por lá um Courbet, pendure-o bem no centro da sala. Está na moda.
Porém, cuidado com o Courbet.
Alguns poderão não combinar com a Árvore de Natal.
(imagem: Bonjour Monsieur Courbet (1854) de Gustave Courbet, da colecção do Musée Fabre na exposição "Courbet" no Musée d'Orsay até Janeiro de 2008)

Wednesday, December 12, 2007

Design do Muito Bom em Miami



No rasto da Art Basel Miami Beach, tivemos já pela terceira vez a Design Miami.
Cada vez com maior autonomia, o evento não é mais do que uma feira (com bons acontecimentos satélite) de design.
Daquilo a que agora chamam Design Art(e) (o “e” é para a versão portuguesa), e que não é mais do que design elevado pelos mais altos princípios que o motivam.
Aqui preferimos chamar-lhe Alto Design, no seguimento da mesma designação (a mais mediatizada) da Alta Costura, por exemplo.
(já estamos a ficar muito sérios, bora avacalhar)
Assim, as galerias da especialidade, e algumas das artes plásticas mas que dão uma perninha nisto, juntam-se no que já chamam por lá Miami Design District (imaginem Santos, depois esqueçam) (mas esqueçam mesmo, por favor).
Os senhores, e senhoras (sabemos que primeiro são as senhoras, mas há mais deles com Visas dos bons, por isso lhes damos aqui preferência, pois alguém tem que pagar estas contas) que já têm as paredes e os cantos cheios de arte (coisas inúteis, portanto), podem continuar a gastar o seu dinheiro (sem esbanjá-lo em caveiras cravejadas de diamantes).
São objectos e mobiliário ao nível dos preços da arte.
Mas isso não lhes dá legitimidade, e esse é que é o problema.
Houve muito boas escolhas, mas o conceito não foi linear.
São antiguidades misturadas com moveizinhos dos anos 80 (a que chamam “vintage”), e mais criações novas feitas para as galerias.
No fundo o que interessa é custar muito dinheiro.
Mas enquanto se limam estas arestas, vamo-nos regalando com aparições muito boas e raras que por lá vão estando.
Para o ano há mais.
(imagens: Bérgere (2007) de Patrik Fredrikson e Ian Stallard para a David Gill Gallery e Grand Confort Sans Confort (1980) de Stefan Zwicky pela Demisch Danant)
(prometemos tentar mostrar aqui mais umas pérolas do Design Miami, para já ficam estas)

Fome


Há pessoas que não têm ideia do que é passar fome.
Ainda bem.
Antes houvesse mais.
(imagem: Bullion (2007) de Paul Insect, leiloado pela Sotheby’s, em Londres no dia 12 deste mês, por £ 6 250)

Take Me Home


Não vale a pena voltar a explicar como é que o mundo mudou desde o aparecimento do YouTube.
Não vale a pena explicar como é que o nosso mundo mudou desde que descobrimos Tom Waits – um Royal, claro, mesmo que o respeito por este génio nunca nos tivesse permitido discorrer sobre ele aqui – e o seu universo, tão longe mas tão perto do nosso (as coisas que sentimos são sempre as mesmas) (ai que isto hoje dava pano para mangas para a Laurinda Alves).
Muito menos valerá a pena provar que, quando falamos em “ouvir em loop”, queremos mesmo dizer OUVIR EM LOOP.
E assim é com One From the Heart (1982), a banda sonora de Tom Waits para o filme com o mesmo nome de Francis Ford Coppola.
Canta Tom (permitam-nos que o tratemos assim, é uma relação de sempre) e canta a bela voz de Crystal Gayle.
Nesta favorita – Take Me Home – canta a Gayle, no disco.
Mas é por causa de uma pérola que falamos sobre isto aqui.
E voltamos ao YouTube: descobrimos Tom a cantar a sua música ao piano.
Lindo?
Comovente.
Queremos ser enterrados a ouvir isto (mórbido!?).
E aí um loop para todo o sempre.
Take me home, you silly boy
Put your arms around me
Take me home, you silly boy
All the world's not round without you

I'm so sorry that I broke your heart
Please don't leave my side
Take me home, you silly boy
Cause I'm still in love with you

Tuesday, December 11, 2007

Ikea por Jason Salavon




É a partir do catálogo do Ikea que Jason Salavon desenvolve estes trabalhos.
A publicação com maior edição do que a Bíblia (175 milhões de exemplares, segundo Jason Salavon) é o ponto de partida para estes suportes gráficos.
A comunicação massificada em cada catálogo dá lugar a planos de cor, compostos para puro deleite do nosso olhar.
Longe do conceito Ikea, mas reconhecidos da sua importância e impacto cultural.
(imagens: Field Guide to Style & Color (2007) e 374 Farben (2007) onde a parte do formato do catálogo Ikea e transforma as propostas em superfícies-síntese de cor)

Porque é Branco XI


Cadeira Saint de Sebastian Errazuriz.

A Árvore de Sebastian Errazuriz



Não temos árvore de Natal.
A Puta da Árvore está no Porto (graças a Deus!).
De modo que nos deliciámos com esta incómoda árvore de Sebastian Errazuriz.
Tão incómoda como a Puta da Árvore (a do Porto, note-se) (não é de Lisboa, é do Porto e deve lá ficar) (para sempre!), mas num lugar onde não nos incomoda nada.
Só nos faz lembrar da outra, e rir.

O Natal de Indiana


Sem orçamento para as decorações de Natal (já para não falar de tudo o resto, mas as decorações de Natal é que nos preocupam; somos fãs dos Castros, assumimo-lo publicamente e não gostamos de os ver mal) a Câmara do senhor Costa arranjou este refugo.
Não dá luz, mas tem uma mensagem muito positiva: love (para quem não sabe é “amor”).
É bonito, e não venham dizer que não é.
Decora a cidade, e não venham dizer que não decora.
Robert Indiana depois de ter esgotado todas as versões ainda fez mais estas.
E se conseguiu vendê-la é porque há gente para tudo.
E esta ideia da Câmara de Lisboa é muito boa.
Para além de transmitir uma belíssima mensagem (o amor é lindo, ou não é?), que se encaixa perfeitamente no Natal, dá já o mote para o final do ano.
Quem descer a Avenida da Liberdade pode contar de 9 a 0, com números colossais pelo mesmo Indiana.
É para a contagem decrescente no final do ano.
A Avenida vai ser aberta e estão abertas inscrições para os pilotos mais afoitos, que provem ser capazes de a descer em 10 segundos.
Já começámos a ver uns treinos.
Aguardamos para ver.
(imagem: dizem que é de uma "exposição" chamada Love & Numbers)

Cabelo à Antiga III


Viggo Mortensen em Eastern Promises (2007) de David Cronenberg.

Eastern Promises




Mal estreou corremos a ver, pois as saudades deixadas por A History of Violence (2005) eram já muitas.
Cronenberg tem em nós este efeito: não sendo adeptos da violência física (em regra geral) consegue pôr-nos a gostar.
Conseguiu com o Crash (1996), de alguma maneira com o eXistenZ (1999), com o anterior A History of Violence (2005) e agora com este Eastern Promises (2007).
Mas conseguiu também fazer-nos fãs de Viggo Mortensen. O que suspeitávamos no anterior confirmámos agora. Fica candidato a Royal (um Royal temporário, mas convicto).
Para já, corremos a ver todos os dias. Pelo sim, pelo não e para termos a certeza.

O Relógio de Michael Young


Este deve ser dos relógios mais bonitos feitos nos últimos tempos.
Já lá vão dois anos, o que, hoje em dia, é uma eternidade.
Mas o relógio de Michael Young continua a ser bom.
Lembra-nos a simplicidade dos primeiros relógios digitais, a que assistimos e em que quisemos participar, mas com o toque sofisticado (embora despretensioso) dos materiais (caixa em aço e correia em nylon).
Está esgotado no site de Young, mas temos esperança de que até ao Natal (já estamos no Natal?) volte a aparecer (para oferecer, claro, que o Natal é para os outros).