



E assim chegamos a Like a Prayer (1989), o último de originais de Madonna que faz parte da nossa colecção (ainda de casa da mãe), ainda em vinyl.
Ainda sobrevive graças a muita fita-cola, que remata os bordos da capa, e imaginamos que o som do "picado", como dizíamos, se mantenha, pois nunca mais lhe demos uso.
O hit que dá nome ao álbum tem um vídeo que não podia deixar de ser o primeiro e que, também nisso foi o primeiro, causou polémica suficiente para passar as vezes todas que o pudemos ver.
Madonna é testemunha de uma violação, assim como um jovem preto que, por isso, é acusado.
Mas um chamamento leva-a a refugiar-se numa igreja onde, um sonho ou uma epifania, lhe revela a sua missão.
No entretanto Madonna tem a revelação através da relação com um santo que faz parte das devoções da pequena igreja, e que tem severas semelhanças físicas com o jovem inocente. Salva-o das grades e liberta-o, mas não sem antes tirar o partido físico que merece.
Depois o castigo (ou o privilégio?): é estigmatizada.
Mas a dor dá lugar à música. Um coro de gospel toma-lhe o lugar e dá o ambiente festivo que este tipo de fé merece.
Seria esperada a polémica que os grupos muito, pouco ou mais-ou-menos católicos, pretos e racistas criariam à voltam do vídeo comercial.
A Pepsi, que entretanto aproveitou o novo tema da artista para lançar uma campanha, cancelou tudo.
Nós gostámos e limitámo-nos a dançar:
.
"(...) I hear your voice, it's like an angel sighing
I have no choice, I hear your voice
Feels like flying
I close my eyes, oh God I think I'm falling
Out of the sky, I close my eyes
Heaven help me (...)"
.
Outras viriam para não perdermos o ritmo.
(imagens: stills do vídeo de Mary Lambert para Like a Prayer)


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