
Toda a Rua da Conceição devia ser perolizada.
Primeiro o nome: Conceição, que é de concepção, só que sem pecado. Um mito, bonito.
Depois passa o 28, que é onde os carteiristas aumentam o nosso PIB.
Por fim, as retrosarias.
Cada uma delas é uma pérola das que apetece miniaturizar e ter em casa. E são tantas que há quem chame à rua dos Retroseiros.
Os interiores das retrosarias são feitos de memórias em balcões de madeira e paredes forradas com pequenas montras e gavetas cheias de coisas apetecíveis.
Cada vez que se vai a uma retrosaria apetece levar tudo, como nas lojas de ferragens. Não sabemos bem para quê, mas são coisas muito úteis para se ter em caixinhas guardadas em casa. Um dia havemos de fazer qualquer coisa, isso sabemos.
Levamos sempre a mais. Se precisamos de 1m de fita, levamos 2. Os preços são ridiculamente baixos e temos que compensar o espírito ainda tão local de cada retroseiro e fazê-los prosperar.
Quem nunca foi comprar nada a uma retrosaria que corra a ir ou um dia apanhará uma Retoucherie de Manuela e as velhas gavetas em madeira numa qualquer loja cool do Chiado, cheia de designs e coisas insuportáveis.
Se tiver que escolher por fora claro que a preferência vai para a Retrosaria Bijou, que mantém a pequena fachada e montras com um cheiro de Arte Nova. O interior é micro mas não perde por isso.
Um dia armamo-nos em TimeOut fazemos uma lista de todas as retrosarias.
Até lá, comprem e ofereçam retrosarias.


















