Friday, December 26, 2008

Pérola de Lisboa: Retrosaria Bijou



Toda a Rua da Conceição devia ser perolizada.
Primeiro o nome: Conceição, que é de concepção, só que sem pecado. Um mito, bonito.
Depois passa o 28, que é onde os carteiristas aumentam o nosso PIB.
Por fim, as retrosarias.
Cada uma delas é uma pérola das que apetece miniaturizar e ter em casa. E são tantas que há quem chame à rua dos Retroseiros.
Os interiores das retrosarias são feitos de memórias em balcões de madeira e paredes forradas com pequenas montras e gavetas cheias de coisas apetecíveis.
Cada vez que se vai a uma retrosaria apetece levar tudo, como nas lojas de ferragens. Não sabemos bem para quê, mas são coisas muito úteis para se ter em caixinhas guardadas em casa. Um dia havemos de fazer qualquer coisa, isso sabemos.
Levamos sempre a mais. Se precisamos de 1m de fita, levamos 2. Os preços são ridiculamente baixos e temos que compensar o espírito ainda tão local de cada retroseiro e fazê-los prosperar.
Quem nunca foi comprar nada a uma retrosaria que corra a ir ou um dia apanhará uma Retoucherie de Manuela e as velhas gavetas em madeira numa qualquer loja cool do Chiado, cheia de designs e coisas insuportáveis.
Se tiver que escolher por fora claro que a preferência vai para a Retrosaria Bijou, que mantém a pequena fachada e montras com um cheiro de Arte Nova. O interior é micro mas não perde por isso.
Um dia armamo-nos em TimeOut fazemos uma lista de todas as retrosarias.
Até lá, comprem e ofereçam retrosarias.

Thursday, December 25, 2008

Jantar Sem Ser de Natal



Convidas-me para jantar.
Digo-te que me importa mais o ambiente.
Insistes no menu.
Jantamos mas é como se não jantássemos.
E assim continuamos indiferentes.

Monday, December 22, 2008

Farturas de Natal



Quem ainda não sentiu o cherinho a fritos que invadiu a Baixa de Lisboa?
É certo que uma roulotte de farturas criaria muito mais impacte do que muitos carrinhos de castanhas assadas (dos que já se tornaram ex-libris da cidade e que a Vodafone, vai na volta, patrocina e paga as castanhas a toda a gente), mas ninguém se lembraria de testar.
Só que, como se sabe, o dinheiro é menos e há que rentabilizar.
Vai daí a histeria do Otário, que já havíamos visto por feiras e outros acontecimentos populares e cujo nome nos chamou a atenção, foi arranjada como solução.
O Otário tem roulottes de farturas e churros à espanhola (entre outros) cuja particularidade é a farta iluminação (como se pode ver na imagem) a duas cores.
Uma beleza especial que contrasta com qualquer ambiente onde se tente encaixar, talvez até com Las Vegas.
Mas à falta de luzes de Natal a Câmara de Lisboa achou que aqueles 10 por 5 da Praça da Figueira (integrada no conjunto dito histórico da Baixa) não fariam falta e que poderiam ser um contributo (como os da TMN ou da Santa Casa) para iluminar Lisboa nas festas.
A praça ficou diferente, sem dúvida: mais luz é mais festa.
Desde manhã até à noite que o cheiro a frito abafa os tradicionais cheiros a chamuça, a bolos, a bacalhau ou a mercearia.
Lembra-nos os tempos em que a dita praça era mesmo o centro das festas de Lisboa.
É uma alegria podermos lembrar-nos desta gente tão feliz mal saímos de casa.
Que vivam o Natal, todos os otários, a Baixa e quem manda em nós.
Estamos no caminho certo. Aos poucos isto vai lá.

De Volta



Cá estamos nós, de volta (como o título já indiciava).
Preparem-se e escrevam nas vossas agendas: estamos fodidos.
Porque, no que depender de nós, estão.
É assim a vida no rectângulo luso.

Wednesday, December 17, 2008

Feliz



Não podes fazer toda a gente feliz, disse-me.
Nunca serei feliz enquanto não tentar, respondi.

Monday, December 15, 2008

Design Sem Querer: Ettore Sottsass



Já o senhor jaz morto e arrefece (para não dizermos apodrece) e ainda lhe encontramos vestígios.
Desta feita no meio dos cenários e cartão de SUPERNOVA, dos Praga: uma estante, que podia fazer parte das escolhas de By The Shelf, e que é um Sottsass do tempo em que escolheu os laminados de plástico para a histeria da Memphis.
Não tínhamos dúvidas de que íamos encontrar este homem até ao fim das nossas vidas.

Sunday, December 14, 2008

One Less Thing to Think About


"(...) Everything in your closet should have an expiration date on the way milk and bread and magazines and newspapers do, and once something passes its expiration date, you should throw it out.
What you should do is get a box for a month, and drop everything in it and at the end of the month lock it up. Then date it and send it over to Jersey. You should try to keep a track of it, but you can't and you lose it, that's fine, because it's one less thing to think about, another load off your mind.
(...) That's another conflict. I want to throw things right out the window as they're handed to me, but instead I say thank you and drop them into the box-of-the-month. But my other outlook is that I really do want to save things so they can be used gain someday. (...)"

em The Philosophy of Andy Warhol (1975) de Andy Warhol, edição Modern Classicas da Penguin Classics

Friday, December 12, 2008

Madonna


O ano está para acabar e com ele estas obrigações a que nos propusemos.
O Ano Madonna foi 2008 e para o ano que vem não há mais.
Por aqui, nada mais temos a dizer.
Na rua falam-nos de Madonna, como se só a nós dissesse respeito.
O que quisemos dizer é que diz respeito a todos. E todos é mesmo todos: os que gostam, os que detestam e os que nem por isso.
Madonna é uma marca com a capacidade de contagiar a nossa cultura com sons e imagens que, para além de valerem muito dinheiro e porem muita gente a trabalhar, ficarão para sempre na história da nossa cultura visual.
Nunca ninguém tinha feito um trabalho assim, daí a nossa reverência (claro que não nos descartamos de, na nossa adolescência, termos comprado e ouvido Madonna, em vinyl, até à exaustão) (e até de, agora, termos mandado vir o disco American Life).
Para o ano que vem Madonna vende Vuittons.
Continuaremos nesta senda.
Quanto às musiquinhas: ouçam-nas na telefonia ou comprem os CDs (verdadeiros ou virtuais) (não roubem, que é feio).
Sobretudo: sejam felizes, como nós somos (fazemos por isso, é certo).
Com Madonna ou sem Madonna.

(imagem: Madonna no key visual Primavera/Verão 2009 de Marc Jacobs para a Louis Vuitton, fotografado por Steven Meisel)

She's Not Me


É o fim.
Nada mais temos a mostrar ou a falar de Madonna.
Para já.
Hard Candy (2008) continua aí a vender.
Não lhe achamos graça, por isso não falamos disso.
Fica aqui a referência a She's Not Me, incluído no disco, porque fala da própria Madonna e tem um vídeo que resume o nosso trabalho aqui.
Assim sendo, até ver.

(imagem:  still do vídeo de She's Not Me (2008), montado com imagens de outros vídeos de Madonna para a digressão Sticky&Sweet)

Monday, December 08, 2008

Plain Space


"(...) When I look at things, I always see the space they occupy. I always want the space to reappear, to make a comeback, because it's lost space when there's something in it. If I see a chair in a beautiful space, no matter how beautiful the chair is, it can never be as beautiful to me as the plain space.
My favourite piece of sculpture is a solid wall with a hole in it to frame the space on the other side. (...)"

em The Philosophy of Andy Warhol (1975) de Andy Warhol, edição Modern Classics da Penguin Classics

Saturday, December 06, 2008

Momento Perfeito



Por um lado, ainda bem que não assistimos, ou ter-nos-íamos evaporado.
E ainda temos pena de abandonar esta existência.
São dois Royals num momento só (único): Maria João é convidada de Bobby McFerrin (Burghausen 2002).
Descobrimos só agora.

Não é Impunemente que se Tem Um Coração


"Porque será que não canto como canta a cotovia?
O meu cantar nem é pranto, é gemer de uma agonia.
Choro sim meu coração, tens razão para o fazer.
Matou a vida a ilusão, que não tornas a viver.
Sofrer fez-me diferente, dizes tu e tens razão,
Pois não é impunemente que se tem um coração
Ando a cumprir uma pena mas crime não cometi.
Só sei que ela me condena a viver longe de ti."

de e por Maria Teresa de Noronha aqui.

Friday, December 05, 2008

Hollywood










É verdade que chegamos ao vídeo (e música) por que mais esperávamos: Hollywood (2003).
É Madonna numa música cheia de ironia e Mondino a tirar bem partido dela (de Madonna; como não nos está a ouvir podemos dizer ela).
É o ar que se respira em Hollywood e que faz, quem para lá vai, nunca desistir.
São mulheres de Hollywood que fazem todos os esforços para parecerem bem, em imagens-cliché que se repetem para nosso deleite.

"(...) I lost my memory in Hollywood
I've had a million visions, bad and good
There's something in the air in Hollywood
I tried to leave it but I never could (...)"

Ouvemos em loop no Youtube da nossa imaginação.
(imagens: stills do vídeo de Jean-Baptiste Mondino para Hollywood de Madonna)

Thursday, December 04, 2008

Hoje no OJE: Martino Gamper



Hoje no OJE conseguimos, finalmente, apanhar Martino Gamper, atrás de quem já há muito andávamos para conseguir trazer aqui.
Falamos dos objectos especiais que o designer consegue recorrendo a outros objectos, ou partes, e que são uma nova maneira de luxo, com enfoque especial no mega-projecto 100 Chairs in 100 Days (2007) (na imagem) ou ainda nas provocações feitas a partir de criações de Gio Ponti e Carlo Mollino.