É um dos mais notáveis acontecimentos da bienal EXD'11, ainda que aconteça num espaço de Lisboa com características especiais, longe da formalidade do white cube, e, ainda assim, seja uma digníssima exposição dos processos e resultados do trabalho de Fernando Brízio.
O designer, que desde o final da década de 1990 tem vindo a dar a conhecer o seu trabalho, atingiu momentos altos do seu reconhecimento ao ser capa das revistas Intramuros (n.º 109, 2003) e Icon (n.º 62, 2008), ou ao fazer parte da lista de artistas e designers das galerias Cristina Guerra Contemporary Art e Galerie Kreo (esta última serve de estandarte em cada parágrafo escrito sobre o designer).
Mas é com as mãos na massa, longe desse estrelato, que o vemos na exposição Desenho Habitado.
Com a falta de um catálogo que marque o momento e registe o que já existe, resta-nos uma publicação onde podemos ler Carla Cardoso, o próprio Brízio, Vera Sacchetti, Filomena Silvano, Susana Gaudêncio e Delfim Sardo (o que é que faltava?).
E é nas palavras de Delfim Sardo que resumimos:
"Há três características no trabalho de Fernando Brízio que o transformam num caso muito peculiar no contexto do design: a primeira deriva da sua atenção à relação entre o material e as suas potencialidades, fundando aí a especificação conceptual dos seus projectos. A segunda radica no investimento obsessivo na qualidade afectiva de cada um dos seus projectos, transformando-os em peças únicas, em múltiplos que são, cada um, variações idênticas de um protótipo. A terceira liga-se às duas anteriores e consiste na ligação entre o seu carácter recolector e a forma como as inúmeras colecções de objectos são a matéria afectiva e a base cognitiva do desenvolvimento projectual. (...)"
Delfim Sardo em Kraftwerk Emocional, na brochura da exposição Fernando Brízio - Desenho Habitado (2011).
(imagens: da exposição Fernando Brízio - Desenho Habitado (2011) no Antigo Convento da Trindade)
(Continua)
Mr. Fernando
The designer, who since the late 1990s has been showing his work, hit the highlights of his recognition to be on the cover of magazines like Intramuros (No. 109, 2003) or Icon (No. 62, 2008), or to join the list of artists and designers of Cristina Guerra Contemporary Art and Galerie Kreo galleries (the latter serves as a flag in each paragraph written about the designer).
But it is hands-on, out of this stardom, that we see him in the exhibition Desenho Habitado (inhabited drawing).
With the lack of a catalog that marks the moment and records what already exists, we are left with a small publication where we can read Carla Cardoso, Brízio himself, Vera Sacchetti, Filomena Silvano, Susana Gaudêncio and Delfim Sardo (what was missing? ).
And it is with Sardo's words that we summarize:
"There are three features in the work of Fernando Brízio that transforms it in a very peculiar within the context of design: the first stems from its attention to the relationship between the material and its potential, founding there the conceptual specification of his projects. The second lies in the obsessive investment in the affective quality of each of its projects, turning them into unique pieces that are, in multiples, identical variations of a prototype. The third connects to the previous two and is the connection between his recolector character and how his numerous collections of objects are the raw emotional and cognitive development of his project development. (...)"
Free translation of Kraftwerk Emocional (emotional kraftwerk) by Delfim Sardo in Fernando Brízio - Drawing Inhabited (2011) exhibition brochure.
(photos: Fernando Brízio - Desenho Habitado (2011) exhibition at Antigo Convento da Trindade)
(to be continued)

















































1 comentários:
Muito boa, a do Brízio, usando a tua expressão “é um senhor" eu direi "um designer", daqueles que merecem o nome. Como sabes conhecia escassamente a obra dele, excedeu todas as minhas expectativas, foi uma grande estreia na minha andaças da experimenta e pronto quando ao Brízio nada mais a acrescentar ( e até á forma como a exposição está montada) e Brízio já para a minha galeria de eleitos.
Agora vamos ao INADMISSÍVEL: Na experimenta continua haver pessoas que de design não percebe pêva, quando se trata de conceber e produzir aqueles papelinhos que é suposto terem a informação acerca de cada uma peças (lettering). Conceber cartões informativos user friendly para os utilizadores também é design e há milhares de bibliografia acerca disso. É só procurar e aprender como se faz.
Para além da nada amigável forma e conteúdo mal concebido, mais grave e ainda por cima mau para o Brízio, porque carga de água, sempre que uma peça já é comercializada por um editor, porque é que esta informação não é apresentada de forma clara objectiva? Sem equívocos? A experimenta quer ser tal literal com o seu tema que não pretende de todos que as peças sejam compradas? Ou é apenas um statement contra o sistema financeiro?
E por último o segundo inadmissível, eu, como cidadãos que também contribuiu para os 2.100.000€ do orçamento da bienal, sinto-me revoltado pelo facto das pessoas que “graciosamente” estão nas salas a zelar pela segurança das peças e a dar explicações a quem as pedir, sejam recompensadas pelo seu trabalho e empenho, PASMEMO-NOS, com um subsídio de alimentação e um subsídio de deslocação. Caraças com um orçamento daqueles não acham que recorrer ao voluntariado é abusivo? Voluntariado não é aquilo e usar a figura é abusivo e vergonhoso quando se tem um orçamento, repito de 2.100.000€.
Quanto á parte comportamental dos “supostos voluntários” nada de nada a apontar, PERFEITOS, quanto ao nível de informação que são capazes de fornecer, tudo a apresentar. Porra, não serem capazes de dar informação básica como por exemplo “esta peça já é comercializada?” “Quem é o editor?”. Mas atenção, os culpados não são eles, mais uma vez, a experimenta deveria saber que existe uma coisa que se chama “formação” e que não é sinónimo de dar informação ou colocar alguém a desbobinar informação aos desgraçados dos voluntários.
Os meus parabéns aos "voluntários" errada e abusivamente foram colocados numa função que não se coaduna com voluntariado e que não obstante isto, tudo fizeram para me informar com o muito pouco que sabiam.
Agora uma mensagem pessoal: Quero entregar à experimenta 7€ por cada exposição que visitar (valor que pago por exemplo cada vez que vou á La Triennale), para que o valor total seja distribuído por todos os “falsos voluntários”. A quem poderei enviar no o valor total? Se a experimenta não conseguiu gerir no seu orçamento um valor digno e justo para aqueles trabalhadores ( e sim, são trabalhadores, voluntariado não é nem pode ser aquilo), eu, António Subtil, cidadãos que paga os seus impostos, para além de já ter contribuído para os tais 2.200.000€ do orçamento, quero contribuir enquanto cidadão para a dignificação das pessoas que a organização da experimenta não se lembrou de dignificar.
Abraço,
P.S. Se souberes ou conseguires saber onde poderei comprar duas das peças que por lá vi, e que penso que não são protótipos, mas já peças produzidas em série, muito agradecia. Mas isto ficará para quando nos tomar-mos o tal café.
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